A magia do "Cinema Paradiso"

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Quando vou ao cinema (desde a minha infância e ainda nos dias de hoje) me sinto tal qual a protagonista do filme "A rosa púrpura do Cairo", de Woody Allen – quase que "literalmente" passo a fazer parte da história, "adentrando" através da telona, vivenciando e "convivendo" com os personagens... 

E quando as luzes se acendem e acaba a "magia", tenho sempre que me perguntar "quem sou eu?" e "onde estou?", para só então me "situar" e voltar à realidade do mundo lá fora.



E faço minhas as palavras do grande cineasta François Truffaut, que dizia: "prefiro ver a vida através dos livros e do cinema". E sempre que vejo um belo filme, tenho ímpetos de compartilhar minha emoção com o maior número possível de pessoas, tal meu fascínio pela sétima arte. 

"Cinema Paradiso" foi, e continua sendo, uma dessas emoções, que continua a me encantar, não importa quantas vezes eu o reveja (perdi a conta, depois da vigésima vez). 

O filme (Oscar de melhor filme estrangeiro de 1990) é a mais bela homenagem ao cinema que já assisti em toda a minha vida – lá estão, em grandes clássicos do cinema, Ingrid Bergman, Clark Gable, Rodolfo Valentino, Brigite Bardot, Rita Hayworth, Charles Chaplin, Kirk Douglas e muito mais  numa divina metalinguagem jamais repetida a altura, até os dias de hoje. 

O cineasta italiano Giuseppe Tornatori conta a sua própria história de amor ao cinema, praticamente autobiográfica, como um garoto apaixonado pela "telona" desde a infância, numa pequena cidade do interior da Itália (logo após o término da 2ª guerra mundial e anos antes da chegada da "telinha"), onde a vida se passava dentro da sala de cinema  qualquer semelhança, com qualquer cidade do interior, de qualquer país, daquela época, não é mera coincidência.



Enquanto escrevo, me inspiro ouvindo as músicas magistrais do filme, magníficas melodias instrumentais do compositor italiano Ênio Morricone, e relembro a cena final antológica, do protagonista hipnotizado (e nós, espectadores, também) pelas belas cenas "emendadas" pelo projecionista Alfredo (personagem do talentoso ator Philippe Noiret) como um presente eterno para o menino Totó e, invariavelmente, assim como o pequeno cinéfilo, agora adulto e cineasta, eu também me pego com os olhos marejados, não importa quantas vezes eu reveja a cena. 

E a trilha sonora é tão envolvente que sempre que a ouço, fico literalmente extasiada, tal a emoção que me remete cada música à lembrança das belas cenas do filme.



Também na minha cidade, no interior, o cinema era o grande protagonista das nossas vidas (já existia a telinha na minha adolescência, mas ainda o cinema não tinha sido "engolido" por ela, isso só aconteceu depois, com a chegada dos vídeo-cassetes, DVDs e agora da internet) e era ali o ponto de encontro das turminhas da escola e, assim como no filme, nos reuníamos para "guerrinhas" (de pipoca doce), enquanto aguardávamos o apagar das luzes, e enfim... a emoção, os risos e os aplausos de toda a platéia diante daquela impressionante telona.

Como no filme, senti a mesma tristeza e dor quando da demolição do "cinema paradiso" da minha então cidadezinha do interior (um lindo prédio de estilo colonial, cujo cinema chamava-se "Trianon"), que foi posto abaixo para dar lugar a um "muderno" banco, uma "caixa retangular" de concreto, totalmente sem glamour (era a "chegada do progresso" na minha cidadezinha do interior).

Apesar da dor, mas diferente dos personagens do filme (que estão envelhecidos e "desencantados"), eu tinha ainda a juventude e a esperança que impulsiona a adolescência, mas mesmo assim aquilo me marcou para todo o sempre.

"Cinema Paradiso" é um filme que encanta e que todo mundo se identifica um pouco, seja pela inocência da infância, seja pelos anseios e paixões da adolescência, seja pelos desafios e amarguras da vida adulta e, claro, pela mais bela homenagem ao cinema. É um filme para toda a vida. Para ver e rever mil vezes. Magistral. Inesquecível.




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