Resenha: O Rei de Amarelo

Comentarios




Publicado em 1895, “O Rei de Amarelo” é um livro altamente misterioso, cheio de meandros psicológicos, onde o que é real e o que é fantasia se misturam fazendo com que o leitor se sinta preso em todas as histórias. Influenciador de grandes nomes da literatura e até hoje referenciado nas mais diversas mídias. Organizado em 10 contos, o livro é um marco na chamada “mitologia amarela”, responsável por grande furor literário no final do século XIX.

O americano Robert Chambers ficou rico e famoso por escrever romances “mamão com açucar” mas é com esse livro que mostra o potencial de sua escrita e imaginação. Na verdade “O rei de amarelo” é uma peça escrita por não se sabe quem e que está presente nos quatro primeiros contos desta coletânea: “O reparador de reputações”, “A máscara”, “No pátio do dragão” e “O emblema amarelo”. Quem a lê está fadado a sofrer as mais desgraçadas consequências, desde a genuína loucura até a mais arrebatadora e doentia paixão.

Pode parecer clichê esse negócio de “o livro influencia a vida das pessoas de maneira impresisonante...” mas aqui isso é demonstrado da forma mais louca possível, temos só pequenos trechos e apenas alguns personagens da tal peça citados nesses contos, o que faz com que a curiosidade de lê-la cresça exponencialmente durante a leitura, assim como cresce também a dúvida: será que eu a leria se estivesse com a maldita peça nas mãos?

Camilla: O senhor deveria tirar a máscara.
Estranho: É mesmo?
Cassilda: É mesmo, está na hora. Todos tiramos nossos disfarces, menos o senhor.
Estranho: Eu não estou de máscara.
Camilla: (Horrorizada, em particular para Cassilda.) Não é máscara? Não é máscara!

O rei de amarelo, Ato 1, Cena 2

Os outros contos do livro são: “A Demoiselle d'Ys” e “O paraíso do profeta”, vistos como contos de transição para as histórias mais realistas (e mais fraquinhas) do livro, chamado de 'quarteto das ruas', formado por “A rua dos quatro ventos”, “A rua da primeira bomba”, “A rua de Nossa Senhora dos campos” e “Rua Barré”. Os últimos quatro contos tem uma pegada mais do cotidiano da Belle Époque parisiense, não tendo muito a ver com os quatro primeiros da coletânea, apenas com algumas referencias.

A obra de Chambers influenciou muita gente desde seu lançamento, H. P. Lovecraft, grande nome da literatura de terror e ficção científica, foi um dos que utilizou de elementos da mitologia amarela em suas histórias. Até Neil Gaiman e Stephen King referenciam de vez em quando a narrativa do monarca com vestes cor de girassol.

Confesso que não conhecia a obra até assistir a incrível série True Detective., da HBO. Elementos como “Carcosa” e “Yellow King” me encheram de curiosidade e depois que vi que a editora intrinseca havia traduzido e lançaria uma nova (e belíssima) edição do livro, não pude deixar de lê-lo o mais rapidamente possível e não me decepcionei. Para quem gosta de Poe, Lovecraft, Stephen King, com certeza é um livro que vale a pena ser lido.

#Compartilhar: Facebook Twitter Google+ WhatsApp Linkedin Technorati Digg